Férias! Dezembro 21, 2008
Posted by Nuno Miguel Neto in Opiniões.Tags: algarvio, armona, culatra, demolições, demolir, estado, expo, Faro, farol, formosa, fuzeta, litoral, parque, polis, Ria, sócrates, tavira
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Olá caros leitores!
Estou finalmente de férias e com tempo para me dedicar um pouco a voçês, sabe bem estar em casa. Rever o meu quarto original, a minha familia, os meu cães e todo o ambiente, sem autocarros, sem buzinas, sem ambulâncias e sobretudo, sem trabalho. Pelo menos o trabalho fisico, não tenho que entregar algo todas as semanas, o que me deixa mais livre. Refresco a cabeça, durmos as horas que quero, e no meio de tudo consigo de cabeça fria, pensar naquilo que produzo, o aclamado “conhecimento arquitectonico”. Penso sem preocupações, liberto toda a minha imaginação sem pressão, sem ter que obrigar a ideia a sair, não é preciso ter ideias para o dia seguinte, mas sim para quando eu quiser… Para mim férias não significa, deixar tudo pra trás, fazer de conta que já não sou estudante de arquitectura. Eu vivo para isto, e vivo disto, ou seja não vou deixar de pensar na minha maior paixão! Vou apenas deixá-la consumir-me mais, apanhar cada pedaço de energia que queira. Pode parecer estúpido, mas, para mim uma coisa é oferecer energia, outra é deixá-la sair quando necessário. Nos tempos activos de aulas, eu sou obrigado a libertar energia, oferecer quanta as minhas ideias quiserem e rápido! Em férias é um processo lento que me ajuda a pensar.
Então hoje pensei e fiz uma pesquisa (sobre projecto) no google: “demolições ria formosa”. Subtilmente e muito rápido, BINGO! Três artigos (Público; Algarve digital; Barlavento) que davam conta de que o governo quer até 2009 demolir entre 1 300 a 1 500 habitações por toda a ria formosa, incluindo mais de 90 apoios de praia nesta estratégia. Mas (e tenham agora muito medo) este mesmo programa PLA (Pólis do Litoral Algarvio) quer até 2012 requalificar nas mesmas ilhas (Faro, Farol, Armona, Fuzeta, Tavira) todo o espaço urbano, contratanto para isso a PARQUE EXPO. Tem então por missão a empresa, reconstruir, remodelar e reordenar. Isto tudo num sitio que todos sabem NÃO VOCACIONADO PARA CONSTRUÇÃO.
Então o estado vai demolir para voltar a construir no mesmo sítio?
(hum…esta sitação cheira-me tanto a familiar como a esturro!)
Resenha – Projecto V Dezembro 13, 2008
Posted by Nuno Miguel Neto in Desenvolvimento.Tags: Arquitectura, autonoma, critica, Lisboa, projecto, resenha, ual
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Olá a todos! Antes demais peço desculpa pela ausencia, mas isto andava muito complicado na já famosa azáfama de projecto. Entre tanta coisa para fazer, foi-nos pedido para fazer uma resenha sobre um texto à escolha do livro da Bienal de Arquitectura de Veneza. Escolhi o texto de Denise Scott Brown. Deixo à vossa disposição para ler e comentar. Vou tentar actualizar mais frequentemente.
Esta resenha crítica tem por base o texto de análise redigido por Denise Scott Brown, retirado do livro: “Cidades: Pessoas, Sociedade, Arquitectura: 10ª Exposição Internacional de Arquitectura – Bienal de Veneza”.
Este texto consiste numa observação comparativa entre duas sociedades, a ocidental (norte americana) e a oriental (chinesa e japonesa), nesta obra a arquitecta refere o seu trabalho de estudo, com Rob Venturi, e do estudo das quatro cidades que servem de base à comparação.
O texto está organizado em quatro blocos únicos, em que a cada bloco corresponde a investigação de uma cidade. O documento é narrado na primeira pessoa, falando de todas as cidades de forma resumida e bastante focada num tema.
Denise, no começo deste texto, principia por referir que o trabalho sobre Filadélfia e sobre a sua malha urbana foi interessante, pois Rob é um habitante típico desta mesma cidade. Fazendo também referencia a Louis Kahn, dizendo que ele mesmo fez este tipo de estudo sobre a malha urbana. Há menção a uma metáfora americana – “Existe a possibilidade de ir para a fronteira” – referindo o facto da maioria destas cidades de estados de costa atlântica, estarem planeadas para crescer em direcção aos limites dos estados. Surge uma referência a uma hierarquia não intensiva, ou seja os edifícios não estão muito organizados e sim misturados. Possibilitando assim, a sua utilização quase imediata, a partir de qualquer ponto. Denise identifica como uma qualidade, a já supracitada filosofia de Benjamin Franklin, a que a arquitecta chama de monumentalidade modesta. Rematando dizendo que tentou retirar influencias, da presença que um edifício importante deve ter.
Na análise a Las Vegas, a arquitecta, referencia a semelhança entre esta cidade, Los Angeles e todas as cidades do sudoeste, ou seja, as cidades do automóvel. “Quando conduzimos ou andamos nas ruas, notamos o tipo uso da terra para a implantação da cidade” é uma citação interessante, pois aqui percebemos que é uma ocupação a pensar na mutação, ou seja que todos os espaços podem ser usados para uma construção, que não é perene. Diz Denise Brown, que como arquitecta que se centra no funcionalismo, tem duas razões pelas quais está interessada em pensar nesta base informativa. Uma é porque a pode ajudar a organizar melhor a estrutura funcional dos seus projectos, e a sua interacção com outros. A segunda razão é fundamentalmente levada por uma questão de sensibilidade, a questão de puderem ser vividas duas realidades.
Referindo Tóquio, o parágrafo começa com uma alusão ao fascínio, que a autora nutre por esta cidade. A forma como a estrutura medieval é reconstruída em apenas dez anos, e da forma que é. A forma como quando reconstroem, pintam edifícios em cima de uma malha baseada em pequenos edifícios essencialmente de madeira. Há uma comparação com a obra de Mies Van Der Rohe, os edifícios “típicos” japoneses, são minimalistas, se lhe retirar-mos os telhados de duas águas. Esta coloração que era induzida na paisagem, por estes edifícios, foi substituída por uma arquitectura séria e em massa. Estas cores, passaram a ser apenas a porta do edifício.
Na secção dedicada à cidade de Xangai, a arquitecta, diz que ela e Rob Venturi são fascinados facilmente pela ênfase multicultural que Xangai construiu neste ultimo século de história recente. Refere que em certos pontos da cidade tão depressa podemos estar no bairro chinês mais típico de toda a china, como na esquina a seguir podemos estar num bairro típico londrino. Existindo um tipo de casa muito comum em Londres: “Lilong”. Resumindo que o mais interessante é ver como as coisas foram absorvidas de outras culturas e usadas à maneira chinesa.
Na crítica pessoal ao texto, sublinho essencialmente a forma como as cidades são analisadas, em jeito de comparação entre elas. Nota-se que as cidades ocidentais são essencialmente cidades construídas, a pensar num futuro. Enquanto no oriente, elas são edificadas com uma base histórico-cultural bastante firme. Penso que esta forma de construir cidades tem muito que se lhe diga, quer a americana, quer a oriental.
Penso que a análise ao estudo, da malha da cidade de Las Vegas está bem elaborado, mas tenho algumas dúvidas em relação à sua questão funcional. Penso que numa cidade planeada a pensar no futuro, é errado imaginar essa cidade como podendo ser totalmente reconstruída. Digo isto porque pessoalmente acredito na preservação da memória do local, nas questões edificadas e não apenas na malha urbana. Neste caso especifico refiro-me a Las Vegas, é uma cidade em constante mutação, o que a meu ver traz alguns malefícios à sua vivência. Não podemos nós ir a Las Vegas voltar um ano depois e encontrar maiores vestígios do que vimos lá há um ano atrás? Segundo a estratégia da cidade, a resposta a esta questão será claramente um não. Pois esta cidade assume-se como uma cidade em mudança, em que afirma que não podemos voltar a esta cidade no mês seguinte e ver exactamente os mesmos edifícios. Não tenho nada contra a mudança e a evolução nas cidades, mas, penso que ela deve ser menos rápida e mais pensada na sua vivência. Posso também fazer uma comparação arriscada com o famoso ditado “ O que acontece em Vegas, fica em Vegas!”, puxo este ditado pelo facto de pensar que ele reflecte uma questão, para lá do senso comum. Poderá este ditado ser um reflexo da estratégia urbana? Penso que sim pois se Las Vegas não guarda a maioria da sua arquitectura, como conseguirá guardar acontecimentos? Eles simplesmente acontecem e desaparecem na poeira da mutação. Já em Filadélfia penso que a opção é mais credível. Criar uma estrutura urbana, que seja executada logo a pensar no crescimento da cidade. Esta é uma cidade menos dirigida ao automóvel e mais na questão pedonal. É agradável o conceito dos edifícios civicos estarem próximos dos edifícios e espaços de lazer, numa “mistura” bastante bem organizada. Esta funcionalidade múltipla permite ao habitante e ao visitante um fácil acesso aos edifícios centrais da cidade, por isso parece ser uma opção bastante sensata. A estratégia de cruzamento entre duas grandes avenidas que depois são intersectadas por ruas secundárias que criam uma estratégia de prolongamento, até acabar o espaço, evitando assim situações de vazios urbanos. O que é bastante interessante pois permite uma total ocupação do espaço, explorando todas as suas potencialidades.
È possível uma reconstrução de uma mega-cidade em 10 anos? Tóquio é a resposta, sim é possível! Esta era uma cidade medieval e foi completamente reconstruída no pós-guerra. Actualmente contém mais de doze milhões de habitantes, o que gera uma necessidade de funcionalismo. Esta necessidade, foi logo identificada aquando da sua construção, o que permitiu a meu ver estudar dois pontos fulcrais. Primeiramente a questão urbana em que se mantém estrutura medieval. E em segunda concepção a preservação das fachadas trazendo a memória do local, de modo a que os edifícios crescem atrás das fachadas mas com uma estrtura diferente. Xangai, é uma cidade multi-cultural, o que resulta de toda a absorção, da qual está capacitado o povo chinês. Esta situação, transita para a arquitectura, levando este povo a não ter uma identidade fixa, sendo toda a arquitectura da cidade, um reflexo de absorção. A questão que coloco é se esta aculturação poderá ser boa? Penso que sim, de certa forma pois todos os povos aprendem certamente muito com outros povos, e assim se processa ao longo da história.
Denise Scott Brown, nasceu a 3 de Outubro de 1931 em Nkana, na Rodésia. É uma arquitecta, urbanista, escritora e professora. Gere com o marido Rob Venturi, o atelier: Venturi, Scott Brown and Associates, em Filadélfia. São considerados como uns dos arquitectos mais influentes do século vinte, Através do seu pensamento crítico, e de planeamento que tentam transmitir por textos e ensinando.
Esta resenha, foi produzida no âmbito da cadeira de Projecto-V; Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa.